AD VENTURUM
RELANÇAMENTO DO LIVRO PAULISTARUM TERRA MATER
SAGARACONTOS
POEMANTOS
POEMANDO
30 de agosto de 2010
VÁRIA VEREDA I
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28 de agosto de 2010
VARIA VEREDA - V
E sol veio domingo de requinte
inda alindavam-se morros de sereno
Ventinho desses brandos tom ameno
Manhã toda de luz quase um acinte
Na estrada uma charrete perseguia
carregando família impertigada
No vilar missa de ano anunciada
Em paisagem comum se acontecia
Missa rezada obrigação cumprida
marido indo cuidar coisas da lida
e mãe fez-se visita nuns parentes
Dia nadou entre prosas e escambo
Voltavam quando dia ia zambo
e tarde debruçava-se entrementes
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27 de agosto de 2010
VARIA VEREDA - IV
À mesa um pai mãe mais quatro filhos
disfarçavam domingo num almoço
junto à porta lidavam por um osso
dois cães E fora sol lambendo em brilho
Mãe intentava conter o alvoroço
das crianças com mesmos estribilhos
Pai vexado comia de afogadilho
Porta ao vento rangia nos esgonços
Findo almoço comida melancia
mãe pôs os quantos pratos na bacia
e pai estendeu rede em copiar
Os filhos debandaram Sós sozinhos
mãe e pai conchegaram-se uns carinhos
suspeitados ninguém os atrapalhar
do Livro Varia Vereda
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26 de agosto de 2010
VARIA VEREDA - SONETO III
disfarçada de névoa entrando outono
Morraria despencava-se em torno
acolhia em desvão curta palhoça
Um galo desses guampos bem voz grossa
cantava encompridadamente morno
Outros galos toavam em lhe abono
e noite oscilava sono e fossa
Na mansarda uma vela se acendeu
braseiro em fogão se avivesceu
lumiando telheiro de sapé
E passo que bocejos se acordavam
da chaleira resmungos grugrulavam
a passar por coador um bom café
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25 de agosto de 2010

4 de agosto de 2010
ENTREVISTA PARA SELMO VASCONCELLOS
Irineu Volpato, nascido em 1933, Piracicaba, SP.
Poeta, ensaísta, tradutor. Petroleiro e diplomado em Administração.
SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
IRINEU VOLPATO – Cuidar desses meus palmos de terra, neste mato, onde permaneço, nestas bandas de Santa Bárbara d’Oeste – SP. Uma vez por mês apresentar no SESC de Piracicaba um poeta brasileiro. Manter correspondência com os que ainda por isso se interessam, nesse mundão.
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?
IRINEU VOLPATO – Acho que em meus tempos de seminário, ali pelos 15 / 16 anos, onde se era estimulado para muita leitura.
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?
IRINEU VOLPATO – Acho que tenho mais de 46 títulos em poesia. 2 títulos em prosa, um livro de poemas para infância. 5 traduções do francês, de livros do poeta Jacques Canut. 5 traduções livros de poetas de língua espanhola, do Uruguai, Argentina, Paraguai e México.
SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?
IRINEU VOLPATO – tenho comigo que todo poeta é como uma antena, cada um com sua potência de recepção e que fica captando a fluição derredor. E cada um decodifica aquilo que recebe e, transformando em poema.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?
IRINEU VOLPATO – Não é difícil de perceber quais, tanto em prosa como em verso, nacionais ou importados, que me ocorrem são : Machado, Euclides, Guimarães Rosa, Bernardim Ribeiro, Camilo, Homero, Virgílio, Ovídio, Dante, Manoel Bandeira, Manoel de Barros, Carlos D Andrade, Antero Quental, Fernando Pessoa. Mas na realidade, que leitura não interfere ( se não, deveria ) em nossa criação literária ?
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
IRINEU VOLPATO – Leiam, leiam, leiam, anotem, comentem. Antenem-se à vida. E aquilo que os tocou, reescreva tantas vezes até que tomem o sabor em feitio de poema.
Fonte : http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/
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IRINEU VOLPATO EM DIVERSOS EVENTOS LITERÁRIOS
O Poesia ao Vento de 04/09/2009 - Autor estudado Quintana. Contou com as ilustres presenças de três sobrinhos-netos de Mario Quintana: Ligia Quintana Marcondes César, Cecília Marcondes de Toledo e Augusto Quintana César, além de Irineu Volpato, João B. Athayde, Ivana Negri, Carmem Pilotto, Carla Ceres, Leroy, Talita Marine e Cassio Garcia.


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3 de agosto de 2010
ENTREVISTA PARA ESCOBAR FRANELAS

Escobar Franelas – Quem é Irineu Volpato?
Irineu Volpato – Nasci e devolvi-me viver caipira, para me sentir centrado. Tenho o silêncio e o sozinho como os dois suportes meus mestres. Vivi o quanto valeu-me participando, trabalhando, produzindo, sendo compromisso e compromissado, bem uns 55 anos, daí decidi-me reservar para cumprir-me diálogo comprometido com as palavras, e poesia.
EF – Quando Irineu Volpato começou sua traficância de (pensen)timentos para o papel?
IV – Minhas molecagens literárias comecei-as aos 14 anos. Era um colégio internato, de padres, onde tudo se proibia e o possível era escondido. Mas foi quando li inteiros Varela, Castro Alves, Casimiro, Camões, outros, e engolia todos os textos de antologias(e como havia antologias muitas e boas. Uma excelente da Globo, do Rio Grande, trabalhada por Francisco Fernandes, sem esquecer A Nacional do Carlos Laet, da Francisco Alves, do Nunes, de Curitiba). Fora já do seminário, trabalhei em minha terra natal, em 2 jornais, andava pelos 17/18 anos. Por sorte rodeado de gente muito boa em literatura. Em Piracicaba, em 1953, moleque fui o primeiro que publicou ali um poema modernizado(sem se obrigado à rima. E a Semana de 22 já era velha 32 anos...).
EF – Percebo em seu trabalho uma paixão por novas orquestralidades da frase. Onde( e quando) surgiu esse viés interpretativo para a palavra?
IV – E quem primeiro me puxou para a orquestralidade das palavras, da frase, foi Euclides da Cunha, depois vieram Raul Bopp, Cassiano Ricardo, Manoel de Barros... Sempre gostei de enfiar-me em literatura de autores pré-clássicos portugueses, onde e quando nossas palavras andavam nascendo. Daí pus-me a enviesar-me, a brincadeirar com elas, cumprindo as regras das possibilidades das transformações lingüísticas. E quando fui ler Guimarães Rosa, senti-me assim estando em casa. Impactou-me mais Manoel de Barros e suas brincadeiras de frases.
EF – Quantos livros o Irineu Volpato já publicou?
IV – Livros editados mais de 15. Enfornados outros mais 30.
EF – Qual a relação de Irineu Volpato com as novas expressões midiáticas?
IV – Ainda que passeie traduzindo obras de autores de outras línguas, como franceses, italianos, espanhóis, americanos, e que tenham me obrigado ao latim, grego, raspeladas de hebraico, em seminário, sou visceralmente contra o que vem acontecendo com a importação desnecessária e uso de tantos termos da língua inglesa em nosso dia-a-dia. Ignorância de quanto é rica e exata nossa língua vernácula, ou subserviência simiesca?
EF – Quem (ou o quê) influencia a obra de Irineu Volpato?
IV – Há alguém imune, se consegue espiar antenado ao redor? Tudo me toca, mais que me influencia.
EF – Quem você encontrou nesses “undergrounds” que não justifica estar à margem?
IV – E adianta ser excelência, nas rabeiras águas do alternativo, se para daí se emergir falte-lhe o QI obrigado?
Publicado no Recanto das Letras em 05/01/2008
Código do texto: T804767
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