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5 de novembro de 2010

SONETOSS - VII



VII

Lhe arderam que Natal era tão-tanto
que veio ali averbar a tal verdade
(Pois) Jeca viandou toda a cidade
só viu gente em vereda a todo canto

Cambulhou sua capiau curiosidade
abundância em seus olhos alma-espanto
Cansou ouvir mesma modinha-canto
e luzinhas lambuzando claridades

Passarinhou trombou um dia comprido
se negou perguntar não ser ouvido
Se estorvado puxou volta ao aral

repetir bugres tratos que aprendera
ressabiar sumagrar alma enredeira
resgatar se puar de tal Natal


Irineu Volpato

3 de novembro de 2010

SONETOSS - VI



VI

Paineiras vão machucando
de branco verde paisagem
vento se enfia brincando
arremendando visagens

Um gosto final esse inverno
passeia compondo imagens
paineiras se saboreiam
nos flocos que vão viagem

Dos fumos manhãs de sono
ou leveduras mixagens
em cores de ocasos tristes

as plumas painas plumagem
se vestem criar sabores
de indecorosa paisagem



Irineu Volpato

2 de novembro de 2010

SONETOSS - V



V

Dia joga sol vazado além-tarde
a beber o da noite lusfusco
Banda outono dias de neblina
e tarde em sabor névoa se suja

Permito enjoar-me paisagem
É tempo recolher-me caramujo
brigar meus rascunhos resguardados
Tenções penduradas inda acesas

incertezas a deixá-las suspeitosas
glosas as que colhi amedrontadas
toadas escaninho-as entre asas

E de mãos a palpar recomovidas
vidas as que causei fi-las-deixadas
oxalá outono as suscite re-amadas


Irineu Volpato

1 de novembro de 2010

SONETOSS - IV


IV

Nossos olhos varavam manhãs
ressomados de jovens-futuro
nossos pés calçavam o mundo
impacientes de espaço indomados

Desgastávamos nossos amores
desbragavam-se nossos ardores
Que montanha podia pear-nos ?
Nosso azul tinha fogo de longes

O comum sorríamos esquecer
nosso outono bordava-se ipês
nosso inverno pintava-se espera

Primavera de eterno resser
Marecer o feliz quem contava ?
Excitava-nos ser por viver


Irineu Volpato

28 de outubro de 2010

SONETOSS - III




III

 
Se escoava desdoada pelas vias
navegando seus sorrisos sedeixados
Tricotava resumida em cada canto
seus símplices extraviada de pudores

A vida pascentava-a sem empenhos
O pão e peças que mãos lhe abotoavam
abençoava-os seus olhos de criança
sem quebrar-se menor in/resumida

Do ontem - queria nada do trazido
amanhã - seriam sol as tão estrelas
ermando-a cochichos nas soleiras ?

Que gramática dotou-a esse sorriso
que gene plantou-a tão concisa
que precisa apenas-sendo ser feliz ?



Irineu Volpato

27 de outubro de 2010

SONETOSS - II



II


Furtivos seus olhos me catavam
entre vultos difusos sala em fora
A noite flutuava por suas horas
e olhos ardiam álcool e fumavam

Sustentávamos resistência de tentar-nos
e jogávamos toda nossa amarelinha
Eu de mim rematando os embaraços
seus compassos dançando-a sozinha

No durante eram sons que nos cercavam
distâncias de só-vulto-indecisões
Paulipasso ambos sós como o silêncio

E crescemos espaços ‘té tocar-nos
Ali noite somou-se continuada
ficando nós apenas Além nada


Irineu Volpato

26 de outubro de 2010

SONETOSS - I



I

Quanto me faltam mel e coisas mansas
aquele olhar-em-flor jeito-criança
Podaram-me outono ponta inverno
primavera excusou-me ser verão

Sobrei-me haste de tronco anodoado
malpecado chão onde plantaram-me
urdiram-me pedras e cal e espinhos
resina essa que suo em meus nós

Voz me quebra sempre que um afeto
trejeito me penhora reteimar
amar mesmo querendo in/saber

Um tronco nodoado quase medo
nas vezes que arremedo ser-me mel
borra-me um atiçar sempre de fel



Irineu Volpato

24 de outubro de 2010

VARIA VEREDA - XXVIII



XXVIII


Ela fez-se orvalhado algodão
com seu artefato enfunado
coração de piano afogado
particípio rosto de paixão

Trazia arco-íris na mão
e no riso cipós sincopados
estranjeira de sonhos cepados
navegava-se mel seu desvão

Ia além-meio-dia da vida
esmerando indoer-se vencida
nem tapera encalhar-se de espera

Delírio de lendas em liras
cavalgou pororocas mentiras
e morreu noitidão suas quimeras


Irineu Volpato

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