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17 de setembro de 2010

VARIA VEREDA - XVII




XVII


Ouvia manhãs beiradas lambuzadas
sol curumim jecando ouro cores
a dispersar vigílias soletradas
dissolvência recheios e odores

Devassado ternuras transbordadas
colhido labirindo seus humores
celebrava-se de chuvas ofertadas
em terra devolvida fruto e flores

Dias iam a fluir trivialidades
vestidos solidão e fins de tardes
a pastorar ciranda salmo e messe

D’olhos palpando reles miudezas
rasgava além sorrisos redondezas
voz atada de mudez e prece


Irineu Volpato

16 de setembro de 2010

VARIA VEREDA - XVI




XVI


Havia de fecundar a primavera
esse cálice-outono em suas mãos
fluir de azul e voz ouro os grãos
ironias que crepúsculo lhe dera

Inda que regressar gume devera
silenciosamente solidão
sangraria arrancar-se voz de chão
sortilégios silêncios que aprendera

E gritos de impossiveis manhecidos
abortariam em tardes tumescidas
frutos colhidos de dourado chão

E o arder velado coração de espera
colhido aroma que restou das pérolas
beberia alegria migalha mão



Irineu Volpato

14 de setembro de 2010

VARIA VEREDA - XV




XV

Rés de mundo perdido - um buraco
só adivinhado por angusta trilha
terra - sobrou-lhe aquele naco
- herança uma avença de familia

Morraria acercava-o em cilha
um corguinho de vagar velhaco
se orlava de bambus algumas tílias
ali arranchou-se Sonho-cenáculo

Várzea braba - terra de sapé
mais pedras que abavam no sopé
magra nesga sobrava para o eito

Assuntou céu nuvens dentro a alma
férreo prumou-se de suprema calma
se atracou lida luta teima e jeito


Irineu Volpato

13 de setembro de 2010

VARIA VEREDA - XIV




XIV


Trenzinho ousava vale e seus apitos
ressangrava saracuras nos brejais
roubava solidões entre seus gritos
a encalço de trilhos sempre mais

Carroças que trepavam a passitos
uns morros que subiam canaviais
dissolviam-se olhos infinitos
vingados-lhes ternuras tremurais

Trem se ia desafiando dia
vale e morros de se entornar ilhados
singrados de mesmice teimosia

Sobravam amanhãs noutros cuidados
a roubar ungüento avesso da alegria
alma cosida de sonhos costurados


Irineu Volpato

12 de setembro de 2010

VARIA VEREDA XIII




XII


Dona Cândida-do-morro era parteira
desvelava seu ofício às carecidas
consumia-se estradas pertencida
a acudir cada prece mensageira

Fosse sol chuva noite seresteira
ia Candinha e seus passinhos de tangida
desvendar solidão duma parida
a desatar angústias derradeiras

De si pojou no mundo uma setena
de filhos pastorando alma verbena
navegou paz de netos escarcéu

Sustentou-se entre salmos e rosários
ao sendar seu postremo itinerário
seguiu fugaz... ...se a invocasse o céu


Irineu Volpato

11 de setembro de 2010

VARIA VEREDA - XII




XII


Terma a safra encilhava sua mulinha
e vinha ao povoado mercanciar
fardado de melhor roupa que tinha
manhãzinha colhia-o num trotar

Dia se ia No morro os que ficavam
cismavam horas cumpridas seca espera
que milho que feijão que ali plantavam
saldassem precisão e coisas meras

E sol ia celebrava trás dos montes
e noite viajava de ciranda
quando mulinha trote roncinante

entumescia o quieto Na varanda
espera era magoada de resposta
“- comércio do povoado ‘tá uma bosta..”.


Irineu Volpato

10 de setembro de 2010

VARIA VEREDA XI




XI



E vale estilhaçava escuridão
galopado de nuvens aportadas
ventania singrava sua canção
com ramagens pulsando gargalhadas


Cosendo alma pequena e solidão
consumida entre árvores copadas
nossa casa tumescida de verão
decorava um novembro chuvarada

E espiava escutar fúria dos ventos
exercícios dos avessos elementos
e chuva a devassar-se atrocidade

Sabia entrementes céu breviaria
e que amanhã outra chuva novaria
diáfora do tempo - eternidade


Irineu Volpato

9 de setembro de 2010

VARIA VEREDA - X




X


Assuntou olhos no céu Sol brunia
setembro consumia-se e horizonte
abstrato de azul se aborrecia
adeuses enredados pelos montes

Solidão de terra arada empoçava
descosidas esperanças de plantio
gume de estio chão cicatrizava
morriam de silêncio águas do rio

Setembro barganhou-se Estorvado
viveu outubro mesmas cicatrizes
de terra ensaiada pra raizes

Navegado rosto triste enevoado
no flanco dos enquantos e esperas
cariciava esconsos de quimera


Irineu Volpato

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